Da mobilidade dos objetos
Férias em Floripa! As mesninas faziam as malas num ímpeto de êxtase e curiosidade. Uma terra tão inimaginável quanto esperada.
Lá, em Floripa, ele acorda e dá início ao seu dia ainda morno e preguiçoso, levanta, faz um café, acende um cigarro, debruça-se na janela. O mar...Ah! O mar...
Elas descem, todos se apertando no elevador, literalmente pulando seguras nas mãos dos pais, que esperavam aquelas férias em família já há tanto tempo, a guardavam seus suados dinheirinhos, todos com cara de floripa, gosto de mar e de jantares não tidos em prol do bem comum.
O taxi do aeroporto já estava esperando, e foram todos, densos de umidade da madrugada, com um misto de sono e ternura de ter a familia junta, numa melancolia em lembrar as férias com os pais no interior comendo pitanga trepados na árvore... Bons tempos aqueles.
Ele apaga o cigarro e esquece a caneca em cima da mesa, junto com uma outra de ontem, quem sabe antes. Veste a camisa e abre o atelier. A tela nova tinha ficado ótima, decidiu pintar em uma camisa amarela com as letras em um verde meio limão meio bandeira. Tinha a ver com copa, devia vender mais...Desde que decidiu parar de ser escravo do tempo, ele sobrevivia serigrafando camisetas, pra poder ter mais horas junto com seus desenhos. Tinha feito a opção certa, dentre muitas que fez em sua idade adulta, quando a maturidae chegou junto com as escolhas. Uma entre muitas.
Chagaram. O ar da praia faz bem a todos, a cidade bonita, limpa, moderna...Ah! Floripa...
4 anos depois, sem a menor ciência nem minha, nem de todos os envolvidos, paro no sinal da Nazaré com a Benjamim a acendo um cigarro.
Vasculhei o cinzeiro e achei 3 moedinhas de 25 centavos e entreguei nas mãos dela. Menina meio mulher, moreninha, pequena, desnutrida...
Na camiseta: Vanha pra Floripa, um lugar que ela com certeza não sabia nem que era um lugar...
carambolou às 2:07 PM





