Homem pra ser de verdade tem que ter talento, ser cheiroso, com cara de mau....
E talento tem aqui de sobra, aliás, ainda vamos ouvir falar muito deste menino...
Sou tua fã Coe.
Through the looking Glass - fotolog
carambolou às 11:51 PM
Desenho do Branco Medeiros, segundo ele, um autista prático que dança mal e beija bem...Lindo!
E além disso escreve, escreve, escreve.....
leiam...perverCidades
carambolou às 11:47 PM
A Despedida, por Eloy Nunes [27/09/05]
Estou cansado. Daí, tirei meus braços e joguei-me no sofá espaçoso da sala. E fiquei ali, maneta, revirando-me de um lado pro outro. Até que me cansei das pernas, e retirei uma por uma. Primeiro a esquerda, com o auxílio da direita. Depois, a perna direita ajudado pelo ombro direito. Encolhi, e senti uma sensação de leveza, de paz. Decidi que poderia ficar melhor e desatarraxei minha bacia e lá se foi quadril, bunda e pau. Fiquei do umbigo pra cima e uma vontade doida de arrancar minha cabeça. Nunca tinha chegado a tanto, e estava ali com o pescoço nas minhas mãos. Aliás, minhas mãos, não, mas o próprio pescoço entregue a uma cabeça que sempre pediu pra se destroncar, se libertar daquele peso todo. Já estava leve, mas queria mais. E dei um jeitinho pro lado, pra baixo, e pronto. Saquei a cabeça do pescoço. Era um tronco na banda esquerda do sofá, e uma cabeça que continuava pensando, e os olhos abertos, afoitos, solícitos... Putz, pensei que seria bem diferente, mas que nada. Ainda sou o mesmo, mesmo sem braços, sem pernas, sem tronco, sem pescoço, sem meu pau! Mas a cabeça ainda está comigo e eu nela. E ela pensa, e repensa. E agora, o que faço? Me deu vontade de soltar meu maxilar inferior, e assim fiz. Depois aquelas orelhas incômodas, e o nariz insuportavelmente grande e sem necessidade, já que pulmão ficou lá numas dessas solturas. Pra que respirar, pensei. Tornei-me um rosto desfigurado sem o resto do corpo. Aliás, estava todo desmantelado, solto no chão da sala, como se todo meu guarda-roupa estivesse jogado ali. E era eu, sobrando pra todos os cantos, um eu liberto, mas ainda pensando, repensando. O que me falta: um cérebro, uma alma, uns dias contados, que nem sei se ainda quero contar, ou algo pra viver, que não serve pra ninguém nem pra mim. Nem eu me quero, deixo tudo ali pra doação, pro lixo, se assim decidirem. Eu decido que fico, mas não devo durar, já que não respiro, o sangue não circula... Nenhuma cabeça de tartaruga ou peru dura tanto. E, assim, despe(da)ço-me de mim.
eu raptei do fotolog desse homem lindo...
carambolou às 11:43 PM





